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       Casamento

Elizangela Sávio Bessa [05/02/2010 08:03]

 

Fonte: Revista Istoé - 1892

 

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Durante a cerimônia de casamento, os noivos prometem ficar juntos na saúde e na doença. Isso começa agora a ganhar um novo significado. Uma safra de estudos está revelando que esse juramento tem implicações muito maiores do que se podia imaginar e que o matrimônio exerce enorme influência na saúde física e mental dos parceiros.
O assunto começou a ser discutido na década de 90 e, desde então, a teoria de que a vida a dois é um fator que deve ser estudado na hora de avaliar a saúde de alguém continua a ganhar força. “Os estímulos da relação entre marido e mulher influenciam do ritmo cardíaco ao metabolismo”, garante a psicóloga Sueli Guimarães, da Universidade Federal de Brasília.
Um dos estudos mais recentes que mostram o potencial do casamento de provocar mudanças foi publicado na revista científica Lancet. O trabalho constata a influência da vida conjugal no ganho de peso das mulheres depois da união. Segundo David Haslam, do Fórum Nacional de Obesidade da Inglaterra, autor do trabalho, em geral a esposa adota os hábitos alimentares do marido. E normalmente os homens comem porções maiores, repletas de comidas mais calóricas. Para piorar, de acordo com o cientista, a mulher faz menos exercícios quando está numa relação amorosa. Outro problema seria trocar alianças sem saber cozinhar. “Isso faz os recém-casados comerem mais em fast-foods e substituir mais refeições por pizza e sanduíches”, diz a psicóloga Sueli. A mesma pesquisa mostrou, por outro lado, que nos primeiros anos de casamento há uma diminuição no consumo de drogas e bebidas alcoólicas. “É uma fase de motivação e desejo de realizar. As pessoas querem ficar mais em casa”, avalia a psicóloga.
Muitos dos efeitos da união, porém, estão relacionados à qualidade da relação. Quando é boa, lucro para a saúde. Cientistas da Universidade de Birmingham, na Inglaterra, observaram as respostas de 180 pessoas com mais de 65 anos à vacina contra gripe. “Aqueles que se declararam satisfeitos com o casamento tiveram melhores reações à vacina”, disse Anna Phillips, pesquisadora-chefe do trabalho. Isso quer dizer que esses indivíduos tiveram maior produção de anticorpos contra o vírus influenza, o causador da doença. “Acreditamos que há uma ligação direta entre as emoções, como a sensação de satisfação no casamento, a produção hormonal e o sistema de defesa do corpo”, acredita Anna.
Outro estudo confirma que um bom casamento é um passaporte para uma vida melhor. Durante 13 anos, pesquisadores das Universidades de Pittsburg e San Diego (EUA) submeteram 500 mulheres a avaliações periódicas. Esse acompanhamento mostrou que as mais felizes no matrimônio de fato eram mais saudáveis do que aquelas com sérios problemas na relação ou do que as solitárias.
Os cientistas também procuram definir as qualidades que fazem um bom casamento. “É o apoio mútuo que dá às pessoas a sensação de que não estão sozinhas diante das dificuldades. Quando falta esse suporte social há stress”, explica o psicoterapeuta João Figueiró, do Centro de Pesquisa e Estudos da Dor da Universidade de São Paulo. “O bom relacionamento entre os parceiros faz com que os pacientes se recuperem mais rápido. Por isso já se pergunta a eles como está o casamento”, diz.
O que acontece com os casais que brigam muito?
Segundo os especialistas, o maior problema para a saúde não são as picuinhas do cotidiano. “O perigo são os conflitos crônicos, que estão sempre presentes na relação, mesmo que não se fale neles”, explica o psicanalista Luiz Cuschnir, de São Paulo. Isso cria uma tensão permanente que pode se expressar na forma de sintomas físicos e psicológicos.
De acordo com o pesquisador Holly Prigerson, da Universidade Yale (EUA), por exemplo, as pessoas que vivem conflitos no casamento marcam mais consulta com psiquiatras do que aquelas que vivem em paz com o parceiro ou são solteiras. As condições da vida a dois se tornam mais deletérias para a saúde quando há ameaças de traição, hostilidade ou se o relacionamento é frio e distante. A tensão desencadeia mudanças bioquímicas que resultarão em um desequilíbrio hormonal típico do stress. Diante da instabilidade, homens e mulheres reagem de modo diferente.
“Muitos estudos indicam que as mulheres são mais sensíveis aos problemas nas relações interpessoais. Em contraste, eles parecem reagir mais fortemente a eventos práticos da vida, como a perda do trabalho”, disse o sociólogo Allan Horwitz, da Universidade Rutgers (EUA). As manifestações orgânicas promovidas pelo desgaste emocional também diferem por gênero. “As mulheres sofrem mais de depressão e transtornos de ansiedade”, afirmou o cientista Prigerson. Os homens estariam mais sujeitos a problemas cardiovasculares, segundo a psicóloga Denise Ramos.


Fonte: Revista Istoé - 1892



 

 
 

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